segunda-feira, 7 de março de 2016

8 de março - Dia Internacional da Mulher


Evolução do Direito das Mulheres Portuguesas

1867 - Primeiro Código Civil. Os direitos das mulheres tiveram progressos, nomeadamente no que diz respeito à situação de esposas e de mães e à administração de bens. 
Abolição da pena de morte em Portugal. 

1889 - Primeira mulher médica - Elisa Augusta da Conceição de Andrade - Faculdade de Medicina de Lisboa. 

1890 - É autorizado o acesso das raparigas aos liceus públicos. 
Lei do Divórcio - o divórcio é legal pela primeira vez. A lei não faz distinção entre os cônjuges no que respeita aos motivos de divórcio e aos seus direitos sobre as crianças. 

1910 - Novas disposições legais estabelecem a igualdade mulheres-homens no casamento e filiação. O dever de submissão das esposas aos seus maridos é suprimido.

As consequências legais do adultério passam a ser iguais para as mulheres e os homens. O acesso ao trabalho na administração pública é autorizado às mulheres.

Primeira mulher a votar - aproveitando-se da omissão legal sobre o sexo do chefe de família, Carolina Beatriz Ângelo - médica, viúva e mãe - faz prevalecer a sua condição de chefe de família para depositar o seu voto nas eleições para a Assembleia Constitucional. Em consequência, a lei foi modificada de forma a estabelecer claramente que só os homens podem exercer o direito de voto.

Primeira mulher nomeada para um cargo na Universidade, Carolina Michaelis de Vasconcelos (Filologia). É fundada a Associação de Propaganda Feminina. 
A escola torna-se obrigatória para crianças (meninas e meninos) de 7 a 11 anos. 

1912 - Carolina Michaelis de Vasconcelos e Maria Amália Vaz de Carvalho são eleitas por mérito para a Academia de Ciências de Lisboa. 

1913 - Primeira mulher a possuir uma licença em direito - Regina Quintanilha. 

1917 - É criada a "Cruzada de Mulheres Portuguesas" para apoiar a participação de Portugal na Primeira Guerra Mundial.

1918 - Um decreto lei autoriza às mulheres o exercício da profissão de advogada. 

1920 - É autorizado o acesso das raparigas aos liceus dos rapazes. 

1924 - Primeiro Congresso Feminista. 

1926 - Início do Estado Novo. As mulheres são autorizadas a ensinar em liceus masculinos. 

1928 - Segundo Congresso Feminista. 

1931 - O direito de voto é concedido às mulheres com um grau universitário ou com o secundário concluído. Os homens podiam votar desde que soubessem ler e escrever. 

1933 - Nova Constituição da República consagra a igualdade dos cidadãos perante a lei, excepção feita às mulheres tendo em vista "as diferenças inerentes à natureza e também os interesses da família".

1935 - Pela primeira vez três mulheres têm assento na Assembleia Nacional. 

1940 - Assinatura da Concordata entre Portugal e a Santa-Sé. Segundo as suas disposições, os cônjuges casados pela igreja católica jamais se poderão divorciar.

1946 - A lei eleitoral é modificada. Pelo contrário à lei precedente, suspensa em 1931, as restrições ao direito de voto das mulheres são diminuídas, mas mantêm na mesma restrições. 

1959 - As portuguesas casadas com estrangeiros podem manter a sua nacionalidade, caso queiram. 

1967 - É elaborado um novo Código Civil. Continua a estabelecer que o marido é o chefe da família e que ele tem o poder de tomar as decisões relativas à vida marital e às crianças.

1968 - São acordados direitos políticos iguais para mulheres e homens independentemente dos laços matrimoniais, salvo para as mulheres o direito de votar na eleição para a Assembleia Nacional. As desigualdades persistem. 

1969 - O princípio "a trabalho igual, salário igual" é introduzido na legislação portuguesa. 

1970 - Criação do "Grupo de Trabalho sobre a Participação das Mulheres na Vida Económica e Social", sob a presidência de Maria de Lourdes Pintassilgo.

1971 - Primeira mulher no governo: Maria Teresa Lobo, Sub-secretária de Estado da Segurança Social. 

1973 - A Comissão para a Política Social relativamente às Mulheres substitui e continua o Grupo de Trabalho acima mencionado. 

1974 - Revolução do 25 de Abril. O regime autocrático é derrubado e substituído por um regime democrático. As mulheres podem aceder pela primeira vez à magistratura, ao serviço diplomático e a certas posições na administração local, que lhes estavam interditas. São abolidas todas as restrições ao direito ao voto. 
Primeira mulher ministra -  Maria da Lourdes Pintasilgo, Ministra dos Assuntos Sociais.

1975 - Primeiras eleições livres. O artigo 24 da Concordata é emendado: os casamentos católicos podem pedir o divórcio civil. A Comissão da Condição Feminina substitui a Comissão criada em 1973. 

1976 - É aprovado uma licença de maternidade de 90 dias. Os serviços públicos de saúde colocam à disposição consultas de planeamento familiar. É adotada uma nova Constituição, que consagra a igualdade de mulheres e homens em todos os domínios. 

1977 - A Comissão da Condição Feminina fica ligada ao Gabinete do Primeiro Ministro e é dotada de um Conselho Consultivo onde as ONG's dos Direitos das Mulheres podem ter assento. 

1978 - O Código Civil é revisto segundo a nova lei da família, os cônjuges gozam de direitos iguais. A dependência da esposa em relação ao marido é suprimida. 

1979 - Um decreto lei estabelece a igualdade mulheres/homens no emprego e no trabalho. É criada uma "Comissão para a Igualdade no Trabalho e no Emprego", ligada ao Ministério do Trabalho, para supervisionar a aplicação deste decreto lei.

Primeira mulher nomeada Primeira Ministra - Maria de Lourdes Pintasilgo.

segunda-feira, 29 de fevereiro de 2016

A Biblioteca Nacional de Portugal

     Comemora-se hoje os 220 anos da Biblioteca Nacional de Portugal. Criada por alvará de 29 de fevereiro de 1796 com o nome de Real Biblioteca Pública da Corte

      Originalmente localizada no Terreiro do Paço, a Real Biblioteca foi transferida em 1836 para o Convento de São Francisco, no Chiado. Aqui as condições de conservação ditaram a perda de parte do acervo documental.
      Em 1969, a Biblioteca Nacional conheceu nova localização no lado poente do jardim do Campo Grande, onde ainda se encontra. O edifício, obra do Modernismo, é da autoria do arquiteto Porfírio Pardal Monteiro e foi classificada como Monumento de Interesse Público.

Biblioteca Nacional de Portugal



   No seu interior podemos encontrar obras de vários artistas portugueses, tais como a tapeçaria exposta na Sala de Leitura Geral, de Guilherme Camarinha, o fresco do Vestíbulo, de Lino António ou a escultura de Fernão Lopes, de Martins Correia, ou ainda os baixos-relevos de Leopoldo Almeida.

                                             
Tapeçaria de Guilherme Camarinha


Fresco de Lino António



Escultura de Fernão Lopes

   Com mais de três milhões de obras, entre periódicos, manuscritos, coleções patrimoniais e arquivos, a Biblioteca Nacional de Portugal (BNP) detém o maior património bibliográfico do país.


A Religião Egípcia

Para veres o trabalho sobre A Religião Egípcia clica AQUI.

segunda-feira, 22 de fevereiro de 2016

Clica AQUI para aceder ao trabalho elaborado pelo Hélder Carvalho, nº 9 7º D, no Clube de História e Geografia em Construção.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Holocausto



Clique AQUI para aceder ao trabalho sobre o Holocausto de Leonor Rocha e Joana Pereira, do 9º D, orientado pela professora Paula Maia.



O Regicídio



      Completam-se hoje, dia 1 de fevereiro, 108 anos sobre a data em que um assassinato mudou para sempre os destinos de Portugal: o Regicídio, quando perderam a vida o rei D. Carlos e o príncipe herdeiro, D. Luís Filipe.

D. Luís Filipe e D. Carlos
      Este atentado ocorreu quando o monarca regressava de Vila Viçosa, no Alentejo, acompanhado pela rainha e pelo príncipe real. Tendo desembarcado no Terreiro do Paço em direção ao Palácio das Necessidades, o cortejo real incluía várias carruagens encabeçadas pela família real, na qual se destacava o Fiat de D. Afonso, o "Arreda", irmão de D. Carlos e fervoroso adepto dos automóveis.

Família Real Portuguesa 



D. Afonso, Duque do Porto, irmão de D. Carlos


     Pelas cinco horas da tarde, quando o landau régio contornava a praça em direção à rua do Arsenal, destacou-se um homem de barbas pretas, o professor primário Manuel Buiça, que disparou várias vezes sobre o rei D. Carlos, atingindo-o no pescoço, no ombro e no rosto.

      Do lado oposto, um segundo homem, o caixeiro Alfredo Costa, disparou o seu revólver contra as costa do rei e acabou por também atingir o príncipe D. Luís Filipe, que entretanto se erguera.


      Depois de mortalmente alvejados no Terreiro do Paço, foi no Arsenal que D. Carlos e D. Luís Filipe deram entrada, conduzidos na carruagem onde ainda seguiam D. Amélia e o infante D. Manuel.     


Rainha D. Amélia


D. Manuel

      D. Carlos teve morte imediata e D. Luís Filipe terá falecido na antiga Sala dos Curativos, podendo dizer-se, citando Jorge Morais, que o príncipe herdeiro foi rei de Portugal por breves minutos.

31 de janeiro de 1891

    

    A República foi implementada a 5 de outubro de 1910. Mas duas décadas antes, no dia 31 de janeiro de 1891, na cidade do Porto, eclodiu o primeiro movimento republicano com o intuito de derrubar a Monarquia.
      Pela madrugada do dia 31 de janeiro, o Batalhão nº 9 de Caçadores marcha em direção ao Campo de Santo Ovídio (atual Praça da República) onde se encontra o Regimento de Infantaria nº 10 e uma Companhia da guarda Fiscal.
     Descem a Rua do Almada até à Praça D. Pedro (atual Praça da Liberdade) onde ouvem o Dr. Alves da Veiga a proclamar a República em frente à Câmara Municipal do Porto. 

https://www.youtube.com/watch?v=w20n5pVxg6g 


Proclamação da República na Casa da Câmara do Porto, no dia 31 de janeiro de 1891
    
      Entre os intelectuais portuenses que aderiram a este movimento destacaram-se, entre outros, o escritor João Chagas, os filósofos Sampaio Bruno e Basílio Teles e o pioneiro do cinema em Portugal, Aurélio Paz dos Reis.


  
Sampaio Bruno
João Chagas


Aurélio Paz dos Reis

Basílio Teles

      
      Apesar de hasteada a bandeira republicana (a verde e vermelha) na Praça da Batalha, os revoltosos são atacados pela Guarda Municipal na escadaria da Igreja Santo Ildefonso e bombardeados pela artilharia que estava na Serra do Pilar, em Gaia. Muitos civis e militares apoiantes da causa republicana são mortos, outros são presos e a revolta é esmagada.


    

quinta-feira, 28 de janeiro de 2016

27 de janeiro - Dia Internacional em Memória da Vítimas do Holocausto





A palavra holocausto tem como significado original imolação, sacrifício.

Desde a Segunda Guerra Mundial, a palavra assumiu significado referente a um acontecimento específico, o de perseguição e extermínio sistemático de judeus e de outras minorias como ciganos, homossexuais, deficientes físicos e mentais, opositores políticos e religiosos do regime nazista alemão, prisioneiros soviéticos de guerra, civis soviéticos e poloneses, além de outros grupos marginalizados pela Alemanha Nazi durante o conflito.

Um dos princípios fundamentais do nazismo era o racismo. Segundo essa ideologia, os alemães pertenciam a uma raça superior, a ariana, que sem se misturar a outras raças, deveria comandar o mundo. Os judeus eram considerados os seus principais inimigos.




Os judeus foram as principais vítimas  dos ideólogos nazistas, que os responsabilizavam pelo caos em que a Alemanha vivia depois da Primeira Guerra Mundial e dos tratados de paz. Além disso, Hitler e seus seguidores defendiam a tese de que os judeus eram de uma raça inferior e deviam ser eliminados.




Os grandes teóricos do anti semitismo (conjunto de ideias e sentimentos hostis aos judeus) foram Alfred Rosenberg  e Joseph Goebbels. As leis contra os judeus cresceram à medida que os nazis dominaram o poder.




O Dia Internacional em Memória das Vítimas de Holocausto comemora-se no dia 27 de janeiro e foi criado pela Assembleia Geral das Nações Unidas através da resolução 60/7 de 1 novembro de 2005.



O Parlamento Europeu estabeleceu também o dia 27 de janeiro como o dia europeu de memória do holocausto.





Nesta data, em 1945, o exército soviético libertou o maior campo de extermínio nazi, localizado na Polónia (Auschwitz – Birkenau).






No âmbito do projeto “Viver os Direitos Humanos” esta data foi “comemorada “ na Escola E B 2 e 3 de Rio Tinto com várias atividades:

 - Comemoração em contexto de sala de aula (turmas do 3º ciclo, na aula de História) com a apresentação de um diaporama, seguido de debate;

- Pequena exposição na Biblioteca da Escola;





- Apresentação de filmes - O Rapaz do Pijama às Riscas, A Rapariga que Roubava Livros e A Lista de Shindler, na Biblioteca da Escola.




- Visita virtual aos campos de concentração  de Auschwitz e de Bergen-Belsen, na aula de História, para as turmas do 9º ano.

- Trabalhos realizados no Clube História e Geografia em Construção.


Foi um dia para lembrar 

as vítimas do holocausto. 

Lembrar para jamais esquecer!







quarta-feira, 27 de janeiro de 2016

Dia Internacional das Vítimas do Holocausto


Clique AQUI para aceder ao trabalho de Afonso Baldo e Dinis Baldo orientado pela Profª Paula Maia.

sexta-feira, 22 de janeiro de 2016

O Tratado de Zamora

Clique Aqui  para aceder ao trabalho que, sob orientação da profª Paula Maia, Mª Beatriz Ferreira e Mariana Vieira (8ºF) realizaram sobre o Tratado de Zamora.




ACONTECEU ...

A 22 de janeiro de

1506 - Chega ao Vaticano o primeiro contingente da Guarda Suiça para servir ao papa Júlio II. A Guarda é responsável pela segurança papal até hoje.


1561 - Nasce em Londres, o filósofo, ensaísta e político Francis Bacon


1797 - Nasce em Viena D. Leopoldina, filha do imperador Francisco II de Áustria, que pelo casamento com o primeiro soberano do Brasil, D. Pedro I (D. Pedro IV de Portugal) se tornou imperatriz-consorte.


1808 - A Família Real Portuguesa chega ao Brasil, após fuga motivada pela ocupação de Portugal pelas tropas de Napoleão. 



1818 - Um grupo de homens do Porto forma uma sociedade secreta, chamada Sinédrio, com o objetivo de preparar uma revolução para instaurar um governo liberal.
O Sinédrio era formado por um conjunto de burgueses portuenses, entre os quais se destacavam os juristas Manuel Fernandes Tomás, José Ferreira Borges e o comerciante João Ferreira Viana.
No dia 24 de agosto deu-se início à revolução que garantiu a liberdade e a igualdade de todos os portugueses perante a lei.


1901 - Morre a rainha Vitória de Inglaterra, a "avó da Europa".


1905 - Domingo Sangrento (São Petersburgo), foi como ficou conhecido o massacre dos manifestantes que marcharam até ao Palácio de Inverno do czar Nicolau II para apresentar uma petição "Estamos em situação miserável, somos oprimidos, sobrecarregados com excesso de trabalho, insultados, não nos reconhecem como seres humanos, somos tratados como escravos. Para nós, chegou aquele momento terrível em que a morte é melhor do que a continuação do sofrimento insuportável."


1961 - O navio "Santa Maria" foi tomado de assalto por exilados políticos portugueses e espanhóis como desafio ao regime de Salazar. O navio foi rebatizado como "Santa Liberdade".



quinta-feira, 14 de janeiro de 2016


A Batalha das Linhas de Elvas



      A Batalha das Linhas de Elvas foi travada a 14 de janeiro de 1659. A data foi assinalada, pela Direção-Geral do Livro, dos Arquivos e das Bibliotecas, com a publicação de representação digital da página que representa o forte de Elvas no livro das fortalezas ... http:/digitarq.arquivos.pt/viewer?id=3909707
 Este documento pertence à coleção"Códices e documentos de proveniência desconhecida" http:/digitarq.arquivos.pt/details?id=3909670 do Arquivo Nacional da Torre do Tombo.










quarta-feira, 13 de janeiro de 2016

O Globo Terrestre

Como sabes há diferentes formas de representar a superfície terrestre. Os mais utilizados são os mapas e os globos.
Os mapas são representações da Terra numa superfície plana.

Mapa Antigo
Planisfério

Os globos terrestres são representações esféricas do planeta Terra.

Globo da autoria de Ana Garrido, nº 2, 5ºA

Globo da autoria de Ana Querido, nº 1, 5ºA

Globo da autoria de Helena Azevedo, nº 6, 5ºA

quarta-feira, 29 de abril de 2015


Editores: Grupo de HGP e História                                                                      Número IV



Infante em Origami

                                                        
Ano do senhor de 1415

Nas margens do rio Douro estavam a ser construídas naus e barcos destinados à conquista de Ceuta.
O Infante D. Henrique foi ver o andamento dos trabalhos e o Mestre Vaz assegurou-lhe que iriam fazer o mesmo que tinham feito cerca de 30 anos antes aquando da guerra com Castela. Dariam toda a carne da cidade para abastecer os barcos e comeriam apenas as tripas.

Comovido, o Infante D. Henrique disse-lhe que esse nome seria de tripeiros – alcunha que lhes tinha sido dado há 30 anos – era uma verdadeira honra para o povo do Porto.




Docente: Ana Maria Pereira

quarta-feira, 15 de abril de 2015

                                             
Editores: Grupos de HGP e História                                                                                     número III


O Sabor das especiarias



   Desde a antiguidade que as especiarias eram consumidas na Europa. Por serem raras, chegavam, apenas à mesa dos mais ricos. Trazidas do Oriente, eram esperadas com grande expectativa, pois estavam associadas ao requinte na arte de bem comer.   
   Na Idade Média, através de rotas marítimas ou terrestres, os Árabes traziam-nas para os mercados das grandes cidades italianas: Génova e Veneza, que os redistribuíam por outros países europeus, atingindo, deste modo um preço exorbitante.
   Nos séculos XV e XVI, Portugal procura assumir, em exclusivo, a comercialização das especiarias vindas do Oriente através da conquista de entrepostos comerciais em África e Ásia, criando uma nova rota centrada em Lisboa, a Rota Atlântica. Destacam-se figuras como a do Infante D. Henrique, responsável pela exploração da costa africana e Vasco da Gama, com a descoberta do caminho marítimo para a Índia.
   A chegada das especiarias à Casa da Índia irá revolucionar a cozinha portuguesa mas, também a europeia, chegando ao norte da Europa através de Antuérpia onde os portugueses fazem sentir a sua presença. Atualmente, a malagueta, a pimenta, o gengibre, a canela, a noz moscada e o cravinho, prevalecem na nossa alimentação quotidiana, sendo fator de aproximação de povos, culturas e costumes.




Docentes: Maria José Morais e Lúcia Carvalho

quinta-feira, 8 de janeiro de 2015

Editores: Grupos disciplinares de HGP e História                                  número II


Jornal do Tempo

Descobrimento do Brasil

Carta do Achamento do Brasil

Transcrição da Carta 

" Senhor, posto que o Capitão-mor desta Vossa frota, e assim ou outros capitães 
escrevam a Vossa Alteza a notícia do achamento desta Vossa terra nova, que se
agora nesta navegação achou, não deixarei de também dar disso minha conta a 
Vossa Alteza, assim como eu melhor puder, ainda que -- para o bem contar e 
falar -- o saiba pior que todos fazer! (…)
A partida de Belém foi como Vossa Alteza sabe, segunda-feira 9 de março. E
sábado, 14 do dito mês, entre as 8 e 9 horas, nos achamos entre as Canárias,
mais perto da Grande Canária. E ali andamos todo aquele dia em calma, à vista
delas, obra de três a quatro léguas. E domingo, 22 do dito mês, às dez 
horas mais ou menos, houvemos vista das ilhas de Cabo Verde, a saber da
ilha de São Nicolau, segundo o dito de Pero Escolar, piloto. (…)! 
E assim seguimos nosso caminho, por este mar de longo, até que terça-feira das
Oitavas de Páscoa, que foram 21 dias de abril, topamos alguns sinais de terra,
estando da dita Ilha -- segundo os pilotos diziam, obra de 660 ou 670 léguas . 
(…)
Neste mesmo dia, a horas de véspera, houvemos vista de terra! A saber, 
primeiramente de um grande monte, muito alto e redondo; e de outras serras
mais baixas ao sul dele; e de terra chã, com grandes arvoredos; ao qual monte
alto o capitão pôs o nome de O Monte Pascoal e à terra a Terra de Vera Cruz! 
(…)
E dali avistamos homens que andavam pela praia, uns sete ou oito, segundo
disseram os navios pequenos que chegaram primeiro. (…)
A feição deles é serem pardos, um tanto avermelhados, de bons rostos e 
bons narizes, bem feitos. Andam nus, sem cobertura alguma. Nem fazem mais
caso de encobrir ou deixa de encobrir suas vergonhas do que de mostrar a cara. 
Acerca disso são de grande inocência. Ambos traziam o beiço de baixo furado e
metido nele um osso verdadeiro, de comprimento de uma mão travessa, e da 
grossura de um fuso de algodão, agudo na ponta como um furador. Metem-nos
pela parte de dentro do beiço; e a parte que lhes fica entre o beiço e os dentes é
feita a modo de roque de xadrez. E trazem-no ali encaixado de sorte que não os
magoa, nem lhes põe estorvo no falar, nem no comer e beber. (…)
Beijo as mãos de Vossa Alteza.
Deste Porto Seguro, da Vossa Ilha de Vera Cruz, hoje, sexta-feira, primeiro dia
de maio de 1500. “



Pêro Vaz de Caminha
in Arquivo Nacional Torre do Tombo

Trabalho  da Profª Madalena Esteves